segunda-feira, 27 de julho de 2015

Sentimentos têm cheiros?



   


    Os meus têm! Eles vivem me trasportando para


 lembranças agradáveis e às vezes me fazem chorar...Vou

 tentar descrever aqui o cheiros de alguns sentimentos. 

Quero ressaltar que isso é extremamente pessoal, pois 

cada ser possui a sua bagagem de essências olfativas...

     A liberdade teria o cheiro da maresia...

     A alegria teria o cheiro de uma tarde de verão...

     A esperança teria o cheiro da terra molhada após longa

 estiagem...

     A gratidão teria o cheiro de um esplendoroso girassol 

diante do sol...


     E o amor, o mais grandioso dos sentimentos, que cheiro 

teria?


     Ah o amor! O amor teria o cheiro de um rio caudaloso que  
corre para o mar...


     A paixão, prima do amor, teria o cheiro de uma chuva

 torrencial devastadora e passageira...



   As essências da vida tornam a nossa caminhada mais 

agradável. Mas é preciso ter sensibilidade para deixar-se 

invadir por elas, cujo único propósito é nos transportar para 

outra essência, a nossa essência interior...

                                                                           Leila Bomfim
                                                                      

quinta-feira, 28 de maio de 2015

     


      A fotografia é uma extensão da escrita. Enquanto em uma eu utilizo as palavras para passar a minha impressão do mundo, na outra eu imprimo na imagem esta mesma impressão. Ampliando minha visão complemento-me, reinvento-me a cada dia...Minhas palavras no momento estão escondidas na poesia de um doce olhar, no milagre presente em uma gestante, e na serenidade que uma nova vida traz. A busca pelo encantar e emocionar continua de uma maneira mais completa. Entrego-me de corpo e alma a cada trabalho que realizo porque busco a excelência. Sempre é tempo de aprender e se surpreender com os encantos que a vida pode nos proporcionar.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Olhos não têm cercas!


         Certa vez ouvi dois amigos dialogando sobre ciúmes, um dizia ao outro que sua namorada vivia desconfiada. Até mesmo uma simples olhada era motivo para que os tanques de guerra entrassem na zona de conflito inimigo.  O diálogo foi concluído com um famoso dito popular “olho não tem cerca”. Confesso que fiquei encasquetada com esta afirmação. Será mesmo que não temos controle sobre nossos olhos? Até que ponto uma olhadela pode ser considerada falta de respeito? 
Bom, diante do exposto, passei a analisar as tais “olhadelas” e pude constatar que às vezes elas não são assim tão inocentes. O problema não está só em olhar, mas em olhar, analisar e comentar. Estas três ações juntas formam um coquetel capaz de explodir a autoestima de qualquer pessoa, seja ela homem ou mulher. Primeiro a retina localiza o alvo, este passa por um filtro para medir o nível de aceitabilidade. Se o olheiro analisou e comentou é que o nível chegou ao topo. Uma amiga teve uma experiência constrangedora com a falta de cercas nos olhos, e olha que ela é de parar o trânsito. Ela estava na praia com o namorado, quando uma moçoila escultural entrou no campo de visão dele. A reação dele foi instantânea: olhou,analisou, comentou, e o pior ergueu o mastro de sua embarcação. Na hora ela entrou em transe, a ira que invadiu seu corpo era capaz de provocar um tsunami. Ela não pensou duas vezes, levou a mão no mastro dele apertou e falou:
      − Preste atenção no que sou capaz de fazer nesta praia.  
      Ela levantou-se tirou a parte de cima do biquíni e saiu desfilando toda segura de si. Os seios fartos e empinados estavam esplendorosos sentindo-se libertos. Os homens ovacionaram, enquanto as mulheres tentavam tapar os olhos de seus homens. Ela passou perto da gostosa e falou: “Pega para você!”
   Ela foi andando até a água deu um mergulho e por alguns minutos desapareceu de vista. Ressurgiu graciosamente depois sob os olhares de todos. Voltou pegou suas coisas, colocou uma saída de praia e foi embora. O namorado a seguiu desconcertado e durante meses implorou pela sua volta.
  Olhos não têm cercas, mas bom senso e respeito cabem bem em qualquer lugar.





domingo, 29 de março de 2015

Pé de não sei o quê





                                                                    
      Este meu jardim está dando o que falar. Outro dia foi um anjo que apareceu. Hoje foi um pé de “não sei o quê”.  Apelidei a plantinha com este nome por não saber o que era.  Ela tinha caule e folhas compridas, teve a audácia de despontar por sobre os arbustos rasteiros, tomando toda a visibilidade de todos que por ali passavam.  Deixei que a criatura tomasse forma, estava curiosa em saber até onde ia tal ousadia.  Notei que o tomateiro outrora verdejante, havia amarelado com a chegada repentina da nova hóspede imponente e,  desconfiado,  não deixou que suas ramas chegassem próximo da abusada, que se tornava a cada amanhecer, mais viçosa.  Eu passei a observá-la todos os dias no mesmo horário. Como era comprida e faceira! Suas folhas largas serviam de abrigo para alguns insetos que a escolheram para botar seus ovos.  Ela crescia proeminente, com seu caule flexível que balançava ao sabor do vento. Era primavera, eu tinha esperança de obter alguma pista do que vinha ser tal planta, mas não aconteceu. Eram só folhas e mais folhas.
       O outono chegou e a maioria das plantas já estavam ficando nuas. Olhei para o “pé de não sei o quê” e vi vários buquês repletos de botõezinhos verdes, enfim alguma pista, abri um largo sorriso com tal descoberta. Não tardou para os botões abrirem.  As pétalas eram de um vermelho intenso e o miolo era laranja vibrante.  Tudo normal, se não fosse um detalhe; as pétalas estavam para baixo enquanto o miolo livre como uma taça oferecia seu néctar aos visitantes que apareciam. Passei horas tentando entender aquela arquitetura do Criador. Aquelas pequenas florzinhas eram lindamente diferentes de todas as flores que eu já havia conhecido. Elas contrariavam toda e qualquer lógica floral. Além de audaciosa era estilosa. 
    Como se não bastasse, notei alguns bulbos compridos entre as folhagens. Ela continuava me surpreendendo. Esperei mais uma semana, e os bulbos abriram, e deles saíram um tufo de fios finos e sedosos que carregavam sementes que eram lançadas ao ar a cada rajada de vento. Elas passeariam sem rumo pelo ar até cair em solo fértil e cumprir sua missão. Porém, neste processo incerto, algumas seriam arrancadas rapidamente por serem confundidas com uma erva daninha. A paciência é uma virtude que pode nos proporcionar um poço de encantamentos. 
     Peguei uma pequena quantidade de sementes e assoprei. Pedi ao vento que as encaminhassem com segurança a um lugar de solo fértil, e que elas brotassem e fizessem outros jardineiros felizes. 

     Logo acima deixo alguns registros deste lindo recorte que roubei

do tempo e semeei aqui... 

                                                                               
                                                                  

sábado, 7 de março de 2015

Olá pessoal

Já saiu a resenha do meu livro Sementes ao Vento no blog da brookebells, confiram!

http://www.brookebells.com/2015/03/resenha-sementes-ao-vento-leila-bonfim.html 

http://www.brookebells.com/2015/03/resenha-sementes-ao-vento-leila-bonfim.html .

Um abraço a todos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Doce parceria com o blog Booke Bells.


Oi pessoal estou fazendo uma parceria com o blog Booke Bells. Em breve resenha do Sementes ao Vento. Não percam!

http://brookeandbelle.blogspot.com.br

domingo, 25 de janeiro de 2015

Menina mulher




  Ei menina! É com você mesmo que quero falar.Não fuja, sei que você está aí escondida neste corpo de mulher. Sei que a vida te obrigou a crescer e que você até resistiu. Vi sua pressa ao recortar no tempo pedaços de emoções vividas. Queria aprisioná-los para sempre em uma imensa colcha de retalhos na memória. Costurando-os um pertinho do outro pareciam tão vívidos, tão eternamente eternos! Vi a sua indignação com o tempo, recriminando-o por engolir momentos tão preciosos. Eram encantamentos, cheiros, gostos, sons, benquerer e uma caixa enorme repleta de ternura. Não mereciam cair no poço do esquecimento.  Recorte a recorte delicadamente costurados com fios de gratidão. Costumava deitar-se sobre este manto nos teus sonhos. Deslumbrava-se com as descobertas, sentia o aroma das manhãs, colhia uma flor de intenso vermelho em uma tarde de primavera, sentia o palpitar do coração em um caloroso abraço. Porém, o senhor do destino  pregou-lhe uma peça, mostrou-lhe um universo repleto de novas tentações.Os primeiros raios de mulher surgiram e novas emoções passaram a povoar a sua mente.Lembra? O novo abriu-lhe outras portas e resistir foi difícil, não é mesmo? A menina cresceu! Mas, você criança ainda continua aí meio adormecida. Aflora às vezes quando o coração necessita do conforto das emoções costuradas. Mas você deveria aparecer mais. O mundo anda muito caótico. Vivemos em uma época na qual as pessoas não tem tempo para sentir o aroma e o paladar da vida. As descobertas não causam mais deslumbramentos. Por isto criança apareça! Brinque, sorria, seja leve. Saiba que a vida costura sua imensa colcha de retalhos  no dia a dia, e que cada etapa é a continuação de emoções anteriores. Não se preocupe em querer aprisioná-los. A menina e a mulher se completam...