Lavei uma palavra que recebia o título de palavrão. Esfreguei
com sabão até que sumisse toda sujeira. A água que enxaguava as letras saia
imunda. Você deve estar se perguntando por que lavar um palavrão sendo que eu
poderia pegar outra palavra. Pois bem, vou te contar uma história. Às vezes, as
palavras somem da minha mente, elas resolvem se amotinar e juntas desaparecem.
Faz alguns meses a última aparição. Deveria ser proibida esta ausência
repentina. Um desânimo abateu-se sobre mim, e as únicas palavras que apareciam, não eram tão dignas de serem publicadas.
Resolvi então, lavá-las. Chega a ser engraçado, mas era a única solução, eu pegaria todos aqueles palavrões e comporia uma
bela poesia; depois de lavá-los é claro. Atualmente o mundo anda meio
desajustado, e toda a indignação que sinto, facilita a invasão destas palavras
em minha mente. Entretanto, existem algumas palavras, que devido à ganância do
ser humano, tornaram-se irrecuperáveis.
É o caso das palavras “mensalão” e “petrolão,” tão comumente utilizadas
nas rodas de conversa em nosso país. Quanta
sujeira se esconde por trás destas palavras! Estas nem lavando a jato!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Encontre-se
Somos seres perdidos em nós mesmos
A influência do meio em que vivemos arranca a nossa essência
Não venha me dizer que tem que ser assim, ou assado
O lance é, por que tem que ser assim, ou assado?
Filtrar o que chega aos nossos ouvidos, deve ser um exercício diário
Não se perca internalizando lixo, que só serve para nos desviar da justiça
A injustiça nasce desse descompasso
Verdade absoluta é burra, não existe, porque um ponto de vista é sempre a vista de um
ponto
ponto
Vasculhe o seu interior, encontre-se na imensa colcha de retalhos que você costurou
E quando encontrar-se marque o local com fios de ouro, para que nunca se esqueça do
seu real valor
seu real valor
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Uma visita muito especial
Hoje amanheci com o meu coração transbordando de alegria. Acredito que este sentimento é reflexo da conversa que tive com alguém muito especial ontem à noite. Era natal, Ele apareceu e sentou-se ao meu lado. Olhei ao redor e percebi que ninguém mais notara sua presença. Todos estavam envolvidos em conversas animadas. As vozes preenchiam o ambiente e os risos eram fáceis. Assim como um quebra- cabeças montado, a família reunida estava completa. Havia algum tempo que meu coração andava apertado, e minha mente, outrora fértil e criativa, havia se tornado campo de indignação, decepção e desesperança. Muitas foram as vezes que, em minhas divagações, o questionei sobre tanta desumanidade, tantas guerras. A vida parecia não ter valor...e o porquê passou a ocupar demasiado espaço em meu coração. Agora Ele estava ali ao meu lado. Seu olhar parecia penetrar minha alma. De repente todas as minhas inquietações, pareciam não ter sentido, me sentia plena . Aquele olhar de infinita serenidade calou minhas palavras, elas eram desnecessárias. Ele colocou a mão sobre a minha, um arrepio percorreu todo o meu corpo, que foi tomado por um sentimento de total plenitude. Uma lágrima desceu pela minha face... fechei os olhos por alguns segundos , como quem quisesse recortar no tempo aquele exato momento e, quando os abri, Ele não estava mais lá...
Foi assim o meu encontro com Jesus...
2016 com muita música
Que em 2016...
Sua vida seja orquestrada por Deus e o repertório seja de belas melodias.
Que você tenha um milhão de amigos e seu cachorro sempre te sorria latindo.
Que você se preocupe menos com problemas pequenos e possa conhecer o tal lugar bonito pra viver em paz.
Que você aceite as pessoas como elas são, visto que, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.
Que as águas de março lavem e perfumem o seu caminho.
Que você ensine seu vizinho a cantar em uma bela manhã de setembro.
Que seu bem continue te dando água na boca, pois o amor é fundamental e é impossível ser feliz sozinho.
Que Deus esteja bem pertinho a cada passo que você der, pois de nada adianta ir à igreja rezar e fazer tudo errado.
Liberte a sua risada mais gostosa e esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa...
Sonhe sem medo, Deus dá asas faça seu voo.
Saiba que a vida tem sons que pra gente ouvir precisa aprender a começar de novo, portanto comece quantas vezes for necessário.
Desejo enfim, a paz de uma casa no campo, onde você possa plantar seus amigos, seus livros, e nada mais...
Sua vida seja orquestrada por Deus e o repertório seja de belas melodias.
Que você tenha um milhão de amigos e seu cachorro sempre te sorria latindo.
Que você se preocupe menos com problemas pequenos e possa conhecer o tal lugar bonito pra viver em paz.
Que você aceite as pessoas como elas são, visto que, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.
Que as águas de março lavem e perfumem o seu caminho.
Que você ensine seu vizinho a cantar em uma bela manhã de setembro.
Que seu bem continue te dando água na boca, pois o amor é fundamental e é impossível ser feliz sozinho.
Que Deus esteja bem pertinho a cada passo que você der, pois de nada adianta ir à igreja rezar e fazer tudo errado.
Liberte a sua risada mais gostosa e esse seu jeito de achar que a vida pode ser maravilhosa...
Sonhe sem medo, Deus dá asas faça seu voo.
Saiba que a vida tem sons que pra gente ouvir precisa aprender a começar de novo, portanto comece quantas vezes for necessário.
Desejo enfim, a paz de uma casa no campo, onde você possa plantar seus amigos, seus livros, e nada mais...
domingo, 20 de setembro de 2015
Bem-vinda Prima
Seja bem-vinda prima
Que você traga no vento o frescor da liberdade
Que traga em sua essência floral o elixir do amor
Venha sem cerimônia
Acalmar a humanidade
Impregnando em todos os cantos
A alegria do desabrochar de mais uma estação
Venha colorir o cinza da desesperança
E perfumar a nossa caminhada
Mostrando que sempre é tempo de recomeçar
Seja bem-vinda Primavera...
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Luto
Luto contra este sentimento negro que insiste em se instalar
Luto por este desamor que dilacera corações
Luto contra este nó na garganta causado por tanta injustiça que temos que engolir
Luto por esta criança de olhar triste,por este trabalhador sem esperança
Luto contra a falta de vergonha e imoralidade da política de nosso país
Luto para continuar sendo humana, e não me deixar contaminar por este lamaçal
Luto por valores que se encontram atualmente tão em desuso
Luto não só pela criança inerte na areia da praia, mas todas crianças vítimas deste caos
Sim, eu estou em luto! Pela ausência de humanidade e pela ganância que cega
A vida tem sido tão mal tratada, por isso eu luto...
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Sonhos roubados
Só queríamos viver em um país mais justo
Poder brincar em segurança com meu irmão
Por que tiraram isso de nós?
Roubaram o nosso tempo nesta terra
Nossos sonhos foram dissolvidos no mar
Eu não queria ser o símbolo desta tragédia humanitária
Por que tanta guerra?
Só queríamos realizar nossos sonhos, ser felizes
A paz seria melhor para todos nós
A face dura do meu pai expressava a dor e angústia pela qual passava
Muitas vezes vi minha mãe chorando escondida
Só queríamos viver dignamente
Estávamos ansiosos quando entramos naquele bote
Éramos fugitivos de uma guerra burra
Éramos vítimas da ignorância e da insensatez humana
Só queríamos paz
Só bastou que alguns se levantassem para que o barco virasse
Meu pai tentou nos segurar, porém escorregamos dos seus braços
Escorregamos para os braços da paz...
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Sentimentos têm cheiros?
Os meus têm! Eles vivem me trasportando para
lembranças agradáveis e às vezes me fazem chorar...Vou
tentar descrever aqui o cheiros de alguns sentimentos.
Quero ressaltar que isso é extremamente pessoal, pois
cada ser possui a sua bagagem de essências olfativas...
A liberdade teria o cheiro da maresia...
A alegria teria o cheiro de uma tarde de verão...
A esperança teria o cheiro da terra molhada após longa
estiagem...
A gratidão teria o cheiro de um esplendoroso girassol
diante do sol...
E o amor, o mais grandioso dos sentimentos, que cheiro
teria?
Ah o amor! O amor teria o cheiro de um rio caudaloso que
corre para o mar...
A paixão, prima do amor, teria o cheiro de uma chuva
torrencial devastadora e passageira...
As essências da vida tornam a nossa caminhada mais
agradável. Mas é preciso ter sensibilidade para deixar-se
invadir por elas, cujo único propósito é nos transportar para
outra essência, a nossa essência interior...
Leila Bomfim
quinta-feira, 28 de maio de 2015
terça-feira, 7 de abril de 2015
Olhos não têm cercas!
Certa vez ouvi dois amigos
dialogando sobre ciúmes, um dizia ao outro que sua namorada vivia desconfiada.
Até mesmo uma simples olhada era motivo para que os tanques de guerra entrassem
na zona de conflito inimigo. O diálogo
foi concluído com um famoso dito popular “olho não tem cerca”. Confesso que fiquei encasquetada com esta afirmação. Será mesmo
que não temos controle sobre nossos olhos? Até que ponto uma olhadela
pode ser considerada falta de respeito?
Bom, diante do exposto, passei a analisar as tais “olhadelas” e pude
constatar que às vezes elas não são assim tão inocentes. O problema não está só
em olhar, mas em olhar, analisar e comentar. Estas três ações juntas formam um
coquetel capaz de explodir a autoestima de qualquer pessoa, seja ela homem ou
mulher. Primeiro a retina localiza o alvo, este passa por um filtro para medir
o nível de aceitabilidade. Se o olheiro analisou e comentou é que o nível
chegou ao topo. Uma amiga teve uma experiência constrangedora com a falta de
cercas nos olhos, e olha que ela é de parar o trânsito. Ela estava na praia com
o namorado, quando uma moçoila escultural entrou no campo de visão dele. A
reação dele foi instantânea: olhou,analisou, comentou, e o pior ergueu o mastro
de sua embarcação. Na hora ela entrou em transe, a ira que invadiu seu corpo
era capaz de provocar um tsunami. Ela não pensou duas vezes, levou a mão no
mastro dele apertou e falou:
− Preste atenção no que sou
capaz de fazer nesta praia.
Ela levantou-se tirou a parte de
cima do biquíni e saiu desfilando toda segura de si. Os seios fartos e
empinados estavam esplendorosos sentindo-se libertos. Os homens ovacionaram,
enquanto as mulheres tentavam tapar os olhos de seus homens. Ela passou perto
da gostosa e falou: “Pega para você!”
Ela foi andando até a água deu
um mergulho e por alguns minutos desapareceu de vista. Ressurgiu graciosamente
depois sob os olhares de todos. Voltou pegou suas coisas, colocou uma saída de
praia e foi embora. O namorado a seguiu desconcertado e durante meses implorou
pela sua volta.
Olhos não têm cercas, mas bom
senso e respeito cabem bem em qualquer lugar.
domingo, 29 de março de 2015
Pé de não sei o quê
Este meu jardim está dando o que falar. Outro dia foi um anjo que apareceu. Hoje foi um pé de “não
sei o quê”. Apelidei a plantinha com este nome por
não saber o que era. Ela tinha caule e folhas compridas, teve a audácia de despontar por sobre os arbustos
rasteiros, tomando toda a visibilidade de todos que por ali passavam. Deixei que a criatura tomasse forma, estava
curiosa em saber até onde ia tal ousadia. Notei que o tomateiro outrora verdejante,
havia amarelado com a chegada repentina da nova hóspede imponente e, desconfiado,
não deixou que suas ramas chegassem próximo da abusada, que se tornava a
cada amanhecer, mais viçosa. Eu passei a
observá-la todos os dias no mesmo horário. Como era comprida e faceira! Suas
folhas largas serviam de abrigo para alguns insetos que a escolheram para botar
seus ovos. Ela crescia proeminente, com
seu caule flexível que balançava ao sabor do vento. Era primavera, eu tinha
esperança de obter alguma pista do que vinha ser tal planta, mas não
aconteceu. Eram só folhas e mais folhas.
O outono chegou
e a maioria das plantas já estavam ficando nuas. Olhei para o “pé de
não sei o quê” e vi vários buquês repletos de botõezinhos verdes, enfim alguma
pista, abri um largo sorriso com tal descoberta. Não tardou para os botões
abrirem. As pétalas eram de um vermelho intenso e o miolo era laranja
vibrante. Tudo normal, se não fosse um
detalhe; as pétalas estavam para baixo enquanto o miolo livre como uma
taça oferecia seu néctar aos visitantes que apareciam. Passei horas tentando entender aquela arquitetura do Criador. Aquelas pequenas florzinhas eram lindamente diferentes de todas as flores que eu já havia conhecido. Elas contrariavam toda e qualquer lógica floral. Além de audaciosa era estilosa.
Como se não
bastasse, notei alguns bulbos compridos entre as folhagens. Ela continuava me
surpreendendo. Esperei mais uma semana, e os bulbos abriram, e deles saíram um
tufo de fios finos e sedosos que carregavam sementes que eram lançadas ao ar a cada rajada de vento. Elas passeariam sem rumo pelo ar até cair em solo fértil e cumprir sua missão. Porém, neste processo incerto, algumas seriam arrancadas rapidamente por serem confundidas com uma erva daninha. A paciência é uma virtude que pode nos proporcionar um poço de encantamentos.
Peguei uma pequena quantidade de sementes e assoprei. Pedi ao vento que as encaminhassem com segurança a um lugar de solo fértil, e que elas brotassem e fizessem outros jardineiros felizes.
Logo acima deixo alguns registros deste lindo recorte que roubei
do tempo e semeei aqui...
sábado, 7 de março de 2015
Olá pessoal
Já saiu a resenha do meu livro Sementes ao Vento no blog da brookebells, confiram!
http://www.brookebells.com/2015/03/resenha-sementes-ao-vento-leila-bonfim.html
http://www.brookebells.com/2015/03/resenha-sementes-ao-vento-leila-bonfim.html .
Um abraço a todos
Já saiu a resenha do meu livro Sementes ao Vento no blog da brookebells, confiram!
http://www.brookebells.com/2015/03/resenha-sementes-ao-vento-leila-bonfim.html
http://www.brookebells.com/2015/03/resenha-sementes-ao-vento-leila-bonfim.html .
Um abraço a todos
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Doce parceria com o blog Booke Bells.
Oi pessoal estou fazendo uma parceria com o blog Booke Bells. Em breve resenha do Sementes ao Vento. Não percam!
http://brookeandbelle.blogspot.com.br
domingo, 25 de janeiro de 2015
Menina mulher
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Tudo azul
Meu mundo se tornou azul. O cinza, que outrora encobria a alegria, se dissipou. Encontrei uma antiga chave que julgava perdida.Como e quando aconteceu, não sei dizer.
Perdeu-se nas entrelinhas da vida.Confesso que nem senti falta. Do mesmo modo que sumiu,apareceu.
Segui meu caminho acreditando que as travas que surgiram eram meros coadjuvantes em minha jornada. Mas, hoje meu mundo se tornou mais azul. Tudo ficou muito claro. Abri meus olhos e consegui enxergar o que antes não via.Fechei a porta para as dores do passado. Abri a janela da alma para um novo despertar. Fechei pensamentos que me aprisionavam em uma caixa no subconsciente. Abri meu coração e retirei traças e teias, um hóspede inesperado surgiu. Fechei a solidão em uma caixa velha, ela não seria mais minha companheira. Abri um baú com um mundo de cores e fiz um arco íris na minha sacada. Criei um ambiente lindo só para receber os meus amigos. Lembrei de você! Entre...
Perdeu-se nas entrelinhas da vida.Confesso que nem senti falta. Do mesmo modo que sumiu,apareceu.
Segui meu caminho acreditando que as travas que surgiram eram meros coadjuvantes em minha jornada. Mas, hoje meu mundo se tornou mais azul. Tudo ficou muito claro. Abri meus olhos e consegui enxergar o que antes não via.Fechei a porta para as dores do passado. Abri a janela da alma para um novo despertar. Fechei pensamentos que me aprisionavam em uma caixa no subconsciente. Abri meu coração e retirei traças e teias, um hóspede inesperado surgiu. Fechei a solidão em uma caixa velha, ela não seria mais minha companheira. Abri um baú com um mundo de cores e fiz um arco íris na minha sacada. Criei um ambiente lindo só para receber os meus amigos. Lembrei de você! Entre...
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Um pouco de mim
Certo dia me falaram que palavrões perdem o efeito em minha boca, que quando estou brigando me torno engraçada. Fiquei intrigada com estas declarações e comecei a buscar o porquê de tudo isso. Depois de muito pensar cheguei a conclusão que, por mais irada que eu esteja, sou muito ponderada. Ainda carrego em meu olhar resquícios da menina que um dia fui. Quando olhos e boca se juntam em um sorriso, o mundo inteiro se abre. Com tanta doçura, é claro que o mais cabeludo dos palavrões se torne belo. Decididamente não nasci para o ódio e sim para o amor. Mas nem tudo na vida são flores, por isso em momentos mais críticos utilizo uma máscara. Dou folga para o amor e finjo ser uma doida desvairada. Talvez por isso, deva me parecer engraçada. O mundo atual tem exigido muito a presença desta doida desvairada. Ser doce em um mundo de tantas agruras está esvaindo a minha energia. Sigo equilibrando-me entre doçura e loucura para tentar sobreviver.
Muito corpo para pouco conteúdo
Estava eu no setor de frutas e legumes de um supermercado quando tudo aconteceu. Eu olhei para ele, ele olhou para mim e foi paixão a primeira vista. Um arrepio percorreu todo o meu corpo. Quanta elegância! Eu só tinha olhos para ele. Chamei a minha amiga, que estava próximo para contar a minha descoberta. Ela olhou e disse: “Normal!”. Quanta insensibilidade, ele poderia ser tudo, menos normal. Ela continuou o que estava fazendo, enquanto eu descansava meus olhos naquele colírio da natureza. Era a primeira vez que o via por ali. Deveria ser gringo, parecia meio deslocado.
Aproximei-me com cuidado, ele permaneceu inerte aguardando a minha aproximação. Que cor linda! O cheiro então, nem se fala. Não resisti, e tocá-lo foi inevitável. Os meus dedos tatearam sua pele, seu cheiro me transportou para um longo passeio através dos sentidos. Naquele momento só existia eu e ele. De repente uma roda de carrinho tirou-me do torpor em que me encontrava. Uma dor lancinante me trouxe de volta à realidade.
É claro que naquela tarde mesmo o levei para casa. Não via a hora de apertá-lo. Qual não foi a minha surpresa, quando percebi que ele tinha pouco conteúdo para muito corpo. Toda aquela pompa para nada! Quanto desperdício! Quanto mais eu apertava, menos caldo saia. Meus sentidos foram duramente enganados por um Limão Siciliano...
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Mais uma noite e nada. Geralmente era neste momento, quando o silêncio caia, que elas surgiam. Uma a uma vinham como em cascata a me envolver. Já fazia uma semana a última aparição. Vínhamos nos entendo bem até então mas, do mesmo modo que chegaram, foram embora. Saíram de mansinho sem pedir licença. Mudei o cenário, coloquei uma música tranquila, li Machado novamente e nada. Deveria ser proibida essa ausência repentina, pois já faziam parte de mim. Todos os dias naquele mesmo espaço eu as procurava. De repente em meio ao devaneio uma resolveu se engraçar, apareceu como quem não quer nada. “Era”. Chamei outras e não obtive sucesso. Elas precisavam uma das outras para fazerem sentido. Elas haviam mudado a minha vida, quando juntas conversavam entre si e me surpreendia com tamanha harmonia. Agora estava eu ali, seguindo o mesmo ritual para recebê-las e nada. Elas precisavam acabar o que haviam começado. Pensei por um momento o que Machado faria em um momento assim, será que ele havia passado por um martírio como este?
Um vazio abateu-se sobre mim. A minha alma estava inquieta, o corpo descansava, mas a alma não.Desolada resolvi dormir.Já quase dormindo, elas me apareceram. − “Era... uma... bela ou chuvosa ... manhã ou tarde ... de... outono ou verão...”. Elas conversaram entre si e se organizaram: − “Era uma chuvosa tarde de verão...”. Levantei peguei meu laptop e comecei a digitá-las alegremente. Voltamos a nos entender enfim.
domingo, 23 de novembro de 2014
Brinquedo, alimento lúdico!
Lá
estava Bárbara na fila imensa que se formou em torno do muro da casa que fazia doação de cestas para famílias necessitadas Era Natal, ela observava atentamente cada uma daquelas
famílias que aguardavam ansiosas por aquele saco transparente que continha mantimentos,
roupas e brinquedos.Ela e sua família não eram diferentes, sua mãe
e mais quatro irmãos aguardavam sua vez. As luzes do natal não estavam presentes naquelas
faces endurecidas pela difícil realidade. Não almejavam ceias fartas com o sonhado peru assado, nem tampouco
presentes embaixo de uma árvore de natal. Tudo era apenas cenas distantes vistas em comerciais de televisão. Para as crianças a felicidade parecia se esconder dentro daquela cesta. Eram bolas, bonecas, carrinhos cujas cores vibrantes sobressaíam no
saco transparente. Bárbara estava receosa, pois tinha mais quatro irmãos. A
disputa pelos brinquedos sempre acabavam em brigas. Em um relance ela olhou para
o rosto da mãe, procurou encontrar naquele face um traço de alegria . A vida difícil a tornara uma mulher dura. Era muito difícil ver
um sorriso naqueles lábios, um afago então era coisa rara. Ela tinha um lenço vermelho na cabeça, preparado especialmente
para receber a cesta. Bárbara se contagiava com a algazarra das
crianças a cada saco recheado de brinquedos que saia, enquanto a mãe executava sempre os mesmos movimentos, passo após passo, sem ao menos olhar para os lados. Reparou que os outros adultos que estavam ali não eram diferentes, pareciam cabisbaixos.
Ela parou o
devaneio em que se encontrava quando percebeu que sua vez de receber os donativos
estava próxima. Seu coração acelerou, tentava ficar na ponta dos pés para
visualizar melhor o que se passava por trás daquele pequeno portão, para isso enfiou-se
por entre as pernas dos adultos a sua frente.O barulho e agitação das crianças atrapalhavam a circulação das pessoas que iriam retirar a cesta. Os adultos pareciam robôs apáticos seguindo uma
sequencia de movimentos, enquanto as crianças se deslumbravam diante de toda
aquela expectativa. Bárbara e seus quatro
irmãos agarraram ao portão e olharam para a quantidade de cestas dispostas naquele
imenso jardim. Uma mulher pegou a senha e olhou para eles com um sorriso largo.
Logo em seguida apareceu transportando a cesta em um carrinho de feira. Bárbara
só tinha olhos para a bola colorida, para uma caixa grande que parecia ser um
jogo de tabuleiro, um lindo urso de pelúcia e para alguns livros. A felicidade
não cabia no peito. Ajudou a mãe a colocar a cesta na cabeça. Sua casa não
ficava muito longe dali, algumas paradas seriam necessárias para recobrar o
fôlego. A mãe ia equilibrando a cesta na cabeça, os passos eram curtos e firmes. Bárbara e os irmãos iam pulando
atrás tentando descobrir outros brinquedos entre os vãos dos alimentos que
se dispunham dentro cesta.
Aqueles brinquedos iriam enganar o corpo e alimentar a alma no mundo do faz de conta.
Aqueles brinquedos iriam enganar o corpo e alimentar a alma no mundo do faz de conta.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Um anjo em meu jardim
Hoje
pela manhã caiu em meu jardim um filhote de anjo
Ele
se deliciava com o croc croc das folhas secas
Seu
brilho e esplendor contrastavam com tudo ao redor...
Asas
branquinhas como plumas pendiam de suas costas
Ele
se encaixava perfeitamente àquela cena
Aí
então, perguntei-me “O que faz um anjo em meu jardim?"
De
repente ele se virou e me presenteou com um sorriso largo
Não
foi um sorriso qualquer
Foi
um sorriso divino, recheado de esperança
Iluminou
tudo ao redor e aqueceu meu sofrido coração
Entendi
então que eu não estava sozinha...
By Leila Bomfim
Assinar:
Postagens (Atom)



























